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22/07/2009

"ANTES DE COLOMBO CHEGAR" NA CAVALGADA DO CENTENÁRIO


Desde que se comemorou o centenário do arquiteto Oscar Niemeyer, tem-se realizado anualmente uma cavalgada, evento idealizado pelo seu neto Carlos Oscar Niemeyer, 44. Este ano, foi a Cavalgada Cultural Brasília 50 Anos. A cavalgada saiu de Niterói, passando por diversas cidades, até chegar a Brasília. A cada cidade, centenas de livros são doados às bibliotecas, dentre eles Antes de Colombo chegar. Na foto, Beth (Elizabeth Christina de Souza Campos), da Alis Editora, ao lado de Carlos Niemeyer.

12/07/2009

SOS: O QUE FAZER COM A POESIA NA SALA DE AULA ?



Texto de minha autoria no qual trago algumas reflexões e dicas sobre o uso do texto poético por professores do ensino fundamental.
Grato à amiga Sueli Bortolin, que divulga meu trabalho em suas contações de histórias.
Link original da publicação: http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=448

O desafio da poesia - Esta é uma pergunta que muitos professores já devem ter feito a si mesmos, afinal, trabalhar poesia na sala de aula pode ser um grande desafio. Tão grande, que chega a assustar e desanimar algumas vezes. Não que haja uma delimitação muito clara do que chamamos de poesia ou prosa em literatura: muitos são os textos que se enquadram na deliciosa posição limítrofe da prosa poética. Porém, de uma forma mais intuitiva do que teórica, sabe-se muito bem que a poesia, quase sempre, é uma expressão literária muito próxima à musicalidade, à sinestesia e ao lúdico e, por trazer tantas vezes um texto curto, que apela à abstração, fica difícil “ensiná-la” aos alunos. Creio que aí está um problema inicial. Poesia não é para se ensinar nada em princípio, como qualquer elemento artístico. Foi pensando nas dificuldades que os professores enfrentam com textos poéticos que resolvi escrever este artigo.

O que lhe disseram ser poesia? - Muitos professores, quando se deparam com um texto ou um livro totalmente poético, encontram os fantasmas de sempre: “o livro é lido por mim e pelos meus alunos mas... e depois? Por quais duras penas passarei e por quanto tempo deverei e conseguirei trabalhar o livro de poesias com meus alunos?”

Retrocedendo em nosso processo educacional pessoal, confrontamo-nos com uma pergunta elementar: “eu gosto ou não de poesia?” Se gosto, um ponto positivo. Se não, fica realmente difícil fazer qualquer coisa com ela. Uma segunda pergunta seria: “o que entendo ou me fizeram entender por poesia?” Se você ainda crê que a poesia é uma forma textual que traz tudo rimadinho, dividido em estrofes e versos, pode vir a encontrar problemas ao se deparar com um poema em versos livres e brancos (1). Concordo que, na formação do professor do ensino fundamental e médio, ainda há lacunas que devem ser preenchidas: uma delas é a da abrangência e da compreensão dos gêneros e estilos literários, da profusão de autores e textos, tudo isso tendo de casar muito bem com o programa a ser cumprido, com as horas de trabalho, com a relação muitas vezes conturbada entre aluno e professor.

Assim, é muito comum um professor, entre escolher um texto em poesia ou em prosa, preferir o segundo. É algo aparentemente mais fácil, pois um conto pode apresentar a estrutura clássica que os gregos nos legaram: início, meio, fim... e ponto final. A poesia também pode fazê-lo, porém, ela pode prescindir de pontuação, a leitura pode parecer quebrada, truncada, confusa, e o aluno pode não entendê-la. Ou então o próprio professor pode se sentir inseguro com um texto deste tipo. Há tempos que os textos em prosa, em poesia e em prosa poética não estão muito preocupados com estas questões estruturais mais “clássicas”. Por isso, o entendimento de um texto poético como sendo mais “abstrato” ou mais “difícil” do que um texto em prosa é puro preconceito. Há que se ter mais intimidade com o fazer poético.

A partir destas abordagens iniciais, sinto-me à vontade para fazer algumas considerações que podem ajudar no trabalho do professor.

Quais noções de poesia você usa com seus alunos? - Primeiramente: poucas pessoas sabem que a estrutura brasileira de se adotar um livro didático exclusivo e único em um disciplina (neste caso, a de Língua Portuguesa ou seu equivalente) não é regra geral em outros países. Há projetos pedagógicos em outros lugares que vão preferir mais de um livro didático para uma determinada disciplina, ou então livro algum. É que a relação entre professor – aluno e livros é diferente da nossa, dependendo da cultura e da história da educação. Porém, este não é o objeto de nossa discussão. Mencionamos este dado para pensarmos qual noção de poesia e quais exemplos de textos poéticos os livros didáticos que usamos com nossos alunos nos oferecem. É muito comum o professor e, por conseguinte, o aluno, ficarem acostumados com a ideia de poesia que é oferecida pelos livros didáticos. Não que tais modelos e exemplos não sejam corretos ou bons, mas temos de nos lembrar que o livro didático presta-se aos seus objetivos pedagógicos e, assim, pede uma economia de tempo e de espaço, sem poder usar de todos os recursos que gostaria. Basta você se lembrar de seu contato com a poesia quando criança. É muito comum as gerações dos professores que hoje têm 25, 35, 45 anos ou mais terem passado por experiências de leitura em que os livros didáticos de língua portuguesa traziam poesias com finalidades específicas: ensinar um tema, tratar de uma data comemorativa, mostrar a presença das rimas e até mesmo alguma questão sintática, ou simplesmente “equilibrar” o predomínio quase absoluto dos textos em prosa – contos, crônicas, cartas, etc. Desta maneira, sem que percebemos, vamos repetindo essas mesmas fórmulas já cansadas, sem cumprirmos o papel que creio ser o de todo professor: abrir caminhos e mostrar possibilidades.

Quando a poesia servia para moralizar - Chamo também a sua atenção aqui, professor, para que não se sinta culpado por nada disso que tenha vivido: a forma como o Brasil se abriu pouco a pouco para o que chamamos de literatura infanto-juvenil se deu de forma muito lenta e tímida. Os primeiros textos escritos para crianças, no final do século XIX e início do XX, tinham a finalidade de moralizar, ensinar os bons costumes e valorizar a pátria, a língua e o povo. Eram muito presentes as poesias que ilustravam alguma data comemorativa, como Dia da Bandeira ou Independência, e que faziam parte dos repertórios de declamações nos eventos escolares. Foram muitas as gerações de alunos que aprenderam poesia como as que estavam impressas nos livros de autores bem intencionados, como a senhora Júlia Lopes de Almeida. Imagine um menino de nove anos, nas primeiras décadas do século passado, lendo um poema com estrofes assim:

“O que é bom produz bondade
E que é que produz a guerra
Da pátria e da humanidade
O homem desterra.” (2)

Ou então, aquele poema famoso de Olavo Bilac em versos dodecassílabos, que começa desta forma:

“Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! Não verás nenhum país como este!” (3)

Quebrar um paradigma tão consolidado é difícil, mas não impossível. É por isso que gostaria de discutir alguns elementos que podem ser pensados e adotados por você, professor. Um deles é: a poesia não precisa ser usada como elemento didático, como pretexto para se ensinar, por exemplo, regras gramaticais. É muito comum o uso que os professores fazem da poesia como um recurso meramente instrumental. O processo do “ensino” de uma poesia muitas vezes adota “passos” como: a leitura em voz baixa, a leitura em voz alta - coletivamente ou não -, a “interpretação” do texto – quando o professor acha isso possível – com perguntas óbvias e questionários para serem respondidos, prosseguindo com a cópia do poema ou a memorização do mesmo, ou alguma outra atividade relacionada a ele: criar um novo poema, contar os versos e especificar as estrofes, discutir rapidamente a presença das rimas ou não. Há ainda os professores que se preocupam com o ensino da contagem métrica e terminam por enfatizar em excesso esta característica.

Por meio de atividades assim, é muito fácil o professor ser “enganado” pelos alunos, que terão dentro de si – desde então – as sementes do ódio à poesia pela forma como aprenderam a se relacionar com ela.

Pessoalmente, penso que levar poesia para a sala de aula e, o mais importante, para a vida do aluno, pode prescindir de tudo isso que relatei. É preciso um “esvaziar” das antigas técnicas e procedimentos para se permitir o contato com um novo paradigma: o da poesia e prazer.

Sem medo de errar - A poesia, como qualquer texto literário e, em maior extensão, qualquer objeto simbólico com valor artístico e capaz de sensibilizar, pode nos permitir um mergulho sem fim e múltiplo, uma descoberta atrás da outra e, com isso, um gozo e um eterno brincar com as palavras, sons e sentidos. Este mergulho se dá ao sentir a poesia, pensar a poesia, discutir a poesia, brincar com a poesia, mas tudo sem as velhas angústias de acertar ou errar. O professor tem de se lembrar que, em se tratando de interpretação de texto, não há resposta certa ou errada. Um livro de poesias, ao ser lido, não tem de ser necessariamente verbalizado em toda a sua totalidade pelo aluno, como se ele fosse um anatomista tentando dissecar uma rã e denominar todas as suas partes. A poesia reside no plano do simbólico e, como tal, pode ter vários entendimentos, e é essa plurissignificação que marca o fazer poético.

Deixo aqui como sugestão um excelente momento para uma reunião de professores que quiserem entender melhor o que estou dizendo: é a exibição do filme Sociedade dos Poetas Mortos (1989), em que um professor de literatura nada ortodoxo, representado por Robin Williams, tenta “abrir” a cabeça de seus alunos que estão sendo educados e “amestrados” para serem “os grandes homens do futuro”. A primeira atitude polêmica que o catedrático terá ao entrar na sala de aula é mandar os alunos abrirem um livro que se propõe a ensinar poesia e mandar que eles arranquem um prestigiado capítulo que tentava matematizar e diagramar o fazer poético para ensinar ao leitor analisar se uma poesia era boa ou ruim, se tinha qualidade ou não...

Quando você, professor, se deparar com um livro de poesia, ou simplesmente com um poema, e quiser trabalhar o mesmo com os alunos, deixe, antes de tudo que o texto fale por si mesmo. Observe as reações dos alunos, o impacto que as palavras e os sentidos das frases causam na classe, antes de se proteger com perguntas que deveriam ser respondidas para preencher os “espaços” da sua angústia. A poesia, assim, terá uma proximidade mais natural com a criança ou o adolescente que está descobrindo o mundo. E esse descobrir tem de ser o mais tranquilo possível, sem cobranças e sem passar ideias de que poesia é x ou y. O aluno consegue, com sua própria capacidade, ir norteando a si mesmo, mostrando seus achados e estabelecendo suas dúvidas ou conclusões.

Uma sugestão - Mais do que propor um texto poético em comum, entretanto, acho mais produtivo e mais fértil simplesmente expor os alunos aos livros de poesia. É uma excelente alternativa levá-los à biblioteca da escola ou trazer para a sala de aula ou para a sala de leitura alguns livros de poesia e pedir que os folheiem, leiam algumas delas (não precisam ler o livro todo, nem ler do início para o fim). Procure observar e depois perguntar o que os alunos sentiram, o que pensaram, como as palavras brincaram na cabeça e na boca de cada um. Ninguém precisa ter medo de ler “errado”, de entender “errado”. Assim, você conseguirá se perceber como responsável pela imagem que os alunos guardarão da poesia e do fazer poético, especificamente, e do processo educacional, como um todo. Tenha como exemplo o trecho deste conhecido poema de Carlos Drummond de Andrade, “O Elefante”:

“Fabrico um elefantede meus poucos recursos.Um tanto de madeiratirado a velhos móveistalvez lhe dê apoio.E o encho de algodão,de paina, de doçura.A cola vai fixarsuas orelhas pensas.A tromba se enovela,e é a parte mais felizde sua arquitetura.”

Você pode se dizer: “mas este poema pode ser difícil para alguns meus alunos”. A questão, professor, é entender que todo texto é, na verdade, um palimpsesto. Na Idade Média, não havia papel para escrever, apenas couro de animais e pergaminhos. Quem escrevia, ou melhor, quem copiava os livros importantes da humanidade eram os monges católicos. Ante a escassez de suporte para a escrita, de tempos em tempos eles tinham que, infelizmente, passar um estilete sobre a superfície escrita do couro e registrar sobre ela outro conhecimento. E assim era feito sucessivamente, até que surgiu a invenção da imprensa. Hoje, os antropólogos e arqueólogos descobrem estes documentos medievais e percebem, sob a última camada, a sombra de outros escritos, um tanto apagados. E desenvolveram uma técnica que recupera o texto anterior. Mas eis que então descobrem um texto ainda mais antigo por trás daquele, e por aí em diante. Ou seja: um palimpsesto é um texto em camadas, permitindo muitas leituras, muitos significados, diversas informações. A poesia, como texto, se comporta também assim: ela é como uma grande cebola de diversas camadas e, de acordo com a “fome”, cada camada é retirada. Ora, esta fome é justamente a capacidade que cada um tem de compreender. Há alguns que verão no poema de Drummond um poema lindo e delicado a respeito de um elefante fabricado artesanalmente, um tanto nostálgico. Outros verão a desilusão drummondiana com o mundo em que o poeta estava inserido, vislumbrando um contexto de guerras e miséria humana, em que a poesia só teria como função dar-nos uma frágil e impotente esperança. Hoje, seu aluno de nove anos lerá este poema e o compreenderá de um jeito; daqui a dez anos, poderá lê-lo de novo e cada leitura será uma nova descoberta. Assim, deixe seus alunos lerem o poema de Drummond, o pedaço que mais gostarem ou ele todo, e falarem dele, dizerem o que sentiram, ou, de repente, nada dizerem – se não quiserem ou não sentirem que devam dizer.

É lógico que muitas atividades podem surgir da leitura de um poema: uma oficina de desenho, de artesanato, um teatro de marionetes, a pesquisa da intertextualidade com outros textos ou mesmo com outras disciplinas que também tratem de elefantes (como, por exemplo, as aulas de ciências (4))... O mais importante você terá feito: não reprimir a leitura, não obrigar a leitura e não passar seus medos e paradigmas antigos para os alunos. Até porque, se estiver conseguindo fazer isso, é porque tais medos e paradigmas já estarão se transformando em novos pontos de vista.

Professor: a diversidade dos textos poéticos é muito grande. Hoje, existem livros para o leitor infantil e juvenil que trazem a poesia como matéria-prima bem trabalhada, com ilustrações de qualidade alta e diagramação excelente. Tudo para que os processos pedagógicos também sejam mais fáceis. Não tenha, portanto, receio de adotar a poesia ou um livro de poesias como atividade em sua classe: eles enriquecem, trazem imagens, musicalidade, cultura, intertextualidade. E o essencial disso tudo é que proporcionam prazer, ludismo, reflexão e socialização.

Notas:
1 - Versos brancos ou soltos são os que não têm rima. Os versos livres são os que não têm preocupação métrica, nem com rimas, nem com estrofes. São uma solução modernista para a liberdade poética.
2 - Este poema está no texto “Depois da batalha”, que faz parte do famoso “Histórias da nossa terra”, de Júlia Lopes de Almeida. Este eu tirei de uma edição do ano de 1922: a 16ª.
3 - Trata-se do “Soneto à Pátria”, em estrutura parnasiana.
4 - Lembramos aqui que poesia não é exclusividade da língua portuguesa. Qualquer disciplina pode trabalhar com poemas.


Adriano Messias - Escritor, tradutor e adaptador. Fez graduação em letras, jornalismo e concluiu mestrado em comunicação. Dentre seus livros voltados para crianças e jovens, estão: Histórias mal-assombradas em volta do fogão de lenha; Histórias mal-assombradas do tempo da escravidão, Histórias mal-assombradas de um espírito da floresta, Histórias mal-assombradas do Caminho Velho de São Paulo (Biruta), O Elefante Infante (da obra de Rudyard Kipling) (Musa), Antes de Colombo chegar/ Antes de la llegada de Colón (Alis), Minha tia faz doce no tacho (Cuca Fresca), 20 Histórias de Bichos do Brasil (Cuca Fresca), A Vaca Fotógrafa (Positivo), Que bicho está no verso? (Positivo). Estes dois últimos trabalham essencialmente com a linguagem poética. Contatos com o autor podem ser feitos pelo email: adrianoescritor@yahoo.com.br

Sobre Sueli Bortolin
Mestre em Ciências da Informação pela UNESP/ Marília - Professora do Departamento de Ciências da Informação do CECA/UEL - Ex-Presidente e atuaçl Secretária da ONG Mundoquelê.
Imagem do filme Sociedade dos poetas mortos

05/07/2009

"20 HISTÓRIAS DE BICHOS DO BRASIL" NA MATÉRIA "LIVROS VERDES"


Saiu no site http://verdedentro.wordpress.com/, que reproduzo abaixo:



LIVROS VERDES15/06/2009
Já falamos aqui sobre um livro infantil que encantou a nossa geração, falando de paz e respeito à natureza: O Menino do Dedo Verde, um clássico da literatura infantil ecológica.
Outras sugestões para a biblioteca dos pequenos ambientalistas do futuro:
1. A Árvore Generosa, de Shel Silverstein, reeditado recentemente pela CosacNaify.O autor foi ativista pelo desarmamento e pela ecologia na década de 60. O livro é uma fábula sobre a relação de amor entre um menino e uma árvore.
2. Coração de Vidro, de José Mauro de Vasconcelos, Editora Melhoramentos.As histórias de um pássaro, um cavalo, um peixinho e uma árvore se entrelaçam e nos dão uma comovente lição sobre as consequências da intervenção humana na natureza. O autor também escreveu Meu Pé de Laranja Lima.
3. Vaguinho contra o desmatamento, de Vinícius Dônola e Roberta Salomone, Editora Globo.Pura aventura: insetos se unem para salvar uma seringueira no coração da selva Amazônica.
4. 20 Histórias de Bichos do Brasil, de Adriano Messias, Editora Cuca Fresca.Histórias ouvidas na infância do autor ou recuperadas da tradição popular, lembranças de bichos que podem deixar de existir.
5. Cheiro de Terra Molhada, de Luiza Lameirão, Editora João de Barro.Só o título já nos dá uma sensação boa. A autora, que nasceu e cresceu numa fazenda no interior, traduz com poesia e muitas cores suas lembranças de uma infância em comunhão com a natureza.
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QUESTÃO DE PONTO DE VISTA

22/06/2009

SIMPLICIDADE E DOCE SABOR DE INFÂNCIA

Crítica literária de Márcia Feijó publicada no DIÁRIO CATARINENSE em 22 de junho de 2009:
N° 8474

SOPA DE LETRINHAS

Simplicidade e doce sabor de infância

Confesso: sou suspeita. Amo Minas Gerais. Adoro livros sobre recordações de infância. E mais ainda se eles falam daquelas receitas gostosas que só as tias, avós ou mães da gente sabem fazer. Vou logo pensando nas minhas próprias fazedoras de guloseimas. Então, esse comentário sobre a obra Minha Tia Faz Doce no Tacho é tão suspeito quanto eu.O livro de Adriano Messias registra, literalmente, as doces lembranças de sua vida no primeiro volume da série Sabores da Terra. Ele descreve sua trabalhadeira tia Nice, moradora de uma casarão de janelas azuis (típico do interior de Minas) e habilidosa cozinheira. Uma pessoa de bom coração, que faz a alegria da criançada distribuindo suas cocadas, pés-de-moleques e nhá-bentas na praça.O tema é extremamente singelo, e o desenvolvimento do texto também. Sua linguagem é bastante acessível aos leitores iniciantes e bem popular. A utilização de vários termos regionais dão margem, inclusive, à utilização nas aulas de Língua Portuguesa que tratem sobre esse assunto. E no final do livro ainda há duas receitinhas reais, a Goiabada de Tacho Amassadinho e o Doce de Leite de Vaca Mansa.As ilustrações de Tania Ricci são igualmente como doce de tacho. Sem ingredientes refinados, mas com muito sabor, ela retrata precisamente a simplicidade da trama.
Minha Tia Faz Doce no Tacho, de Adriano Messias. Ilustr. Tania Ricci. Sabores da Terra. Cuca Fresca Edições. 24 págs. R$ 25
marcia.feijo@diario.com.br
MÁRCIA FEIJÓ

07/06/2009

METALINGUAGEM: O BLOG DENTRO DO BLOG

Meu trabalho e minhas ideias repercutidos no site da Libre - Liga Brasileira de Editoras:

http://www.libre.org.br/noticias.asp

Ou leia logo abaixo:


Notícias
Ônibus-bilioteca: uma reflexão à luz de Vygotsky- 31/5/2009O escritor Adriano Messias escreveu no seu blog uma reflexão sobre as oficinas oferecidas às crianças no projeto Ônibus-biblioteca, mantido pela prefeitura de São Paulo e apoiado pela Libre. Para ele, as atividades oferecidas nas oficinas são uma oportunidade para pôr em prática as propostas de Lev Vygotsky, que defendem a valorização do meio social e da cultura dos jovens e crianças no processo de educação.
ADRIANO MESSIAS - "Vocação a gente respeita. Desde criança eu sabia que seria escritor."
Escritor, tradutor e jornalista. Trabalho com os pares: inglês, francês, espanhol, português. Meu email pessoal: adrianoescritor@yahoo.com.br Neste blog eu comento meus livros e sugiro livros que li e gostei.
28/02/09

UMA FUNDAMENTAÇÃO PESSOAL PARA AS OFICINAS DO PROJETO ÔNIBUS-BIBLIOTECA
SUJEITO INTERATIVO: NEM PASSIVO, NEM ATIVOAdriano MessiasDentre os pensadores da Educação que mais aprecio está o sócio-interacionista Lev Vygotsky, que ainda merece ser muito estudado. Ele enfatizou a importância do meio social e da base cultural na estruturação da personalidade do educando. Sempre acreditei nisso e já escrevi sobre a intersubjetividade na formação do caráter e na estruturação das relações comunicativas entre as pessoas. Entendo que, no espaço que se constrói entre "um" e "outro" - espaço este sempre em transformação, híbrido e deslizante - serão solidificados os mais importantes valores e as experiências mais notórias da vida.Vygotsky foi um educador que considerou a interação social e a dimensão histórica no desenvolvimento mental do indivíduo. Isso, em nossos dias, não deveria apresentar nenhuma novidade, pois há décadas vários estudiosos se empenham na abordagem social e histórica para a compreensão do ser humano e de suas interações. Mas o trabalho teórico nem sempre se casa com o exercício ou com a aplicação do pensamento na realidade.Pensemos um pouco mais sobre as elaborações de Vygotsky: para ele, a construção do conhecimento é sempre mediada por diversos sujeitos, que agem sobre o que chamamos realidade, para, assim, nela interferirem. Esta experiência social no campo cognitivo originou o que ele chama de "zona de desenvolvimento proximal" - que se relaciona à distância entre o nível de desenvolvimento atual de uma criança para solucionar problemas sem ajuda de alguém com mais experiência, e o nível potencial de desenvolvimento - que é a capacidade de a criança resolver problemas com ajuda de pessoas mais experientes.Aqui entra minha compreensão de oficinas em projetos como o do Ônibus-Biblioteca. Escrevi os parágrafos anteriores para que me faça ser mais bem entendido, pois o educador adulto é alguém que tem de colaborar para que a criança ou o adolescente crie novas atitudes em relação à realidade. Isso se faz por meio, por exemplo, do faz-de-conta, da brincadeira, do desenvolvimento de atitudes voluntárias, de motivações e até mesmo a construção de projetos de vida. Todo indivíduo - e aqui entendamos a criança, em especial - já traz consigo uma bagagem de conhecimento e experiências adquiridas, a qual pode ser entendida como a "zona de desenvolvimento real". Estas experiências podem estar além ou aquém do que se estabelece como ideal para uma certa faixa etária em um certo universo sóciocultural. Por exemplo: um garoto de 10 anos que está no quarto ano do ensino fundamental, mas ainda não domina a técnica da leitura, está aquém do que se espera para um estudante brasileiro da mesma idade. Uma menina de dois anos que ainda não verbaliza nenhuma palavra parece estar aquém do desenvolvimento esperado em sua faixa etária.Aqui surge o conceito da "zona de desenvolvimento proximal": aquela em que há a necessidade de alguém mais experiente para ajudar, orientar, esclarecer o educando. E como esse alguém mais experiente pode contribuir? No brincar - pois é aí que a criança usará seu universo simbólico para construir seu mundo e seus valores. Esse brincar está presente em numerosas atividades: na leitura de um livro, no contato com um texto, na exposição a diversas obras literárias, musicais, plásticas... Brincando, ela aprende, ela reconstrói, ela negocia, ela refaz. Por isso me angustio quando percebo alguém oferecendo a uma criança um livro, uma história, um jogo, um brinquedo sem que o mesmo esteja relacionado a uma visão mais interativa entre os sujeitos.Vygotsky entendia o brincar se transformando em desejo e prazer. Esta é a base para se fazer escolhas conscientes na vida dentro de uma postura ética, lidando com situações que depois irão se relacionar ao pensamento abstrato. Por isso defendo que, mais do que simplesmente brincar para se divertir - e oferecer uma brincadeira por diversão -, temos de entender que uma atividade serve para a construção da personalidade da criança e de sua inserção social e cultural em um mundo multifacetado, com diversas seduções, com caminhos tão antagônicos e díspares. Se não for assim, qualquer atividade com intenção educativa será inválida, será inútil, seja ela uma oficina, uma aula, uma visita a uma exposição.
Postado por MEU TRABALHO às 07:22 0 comentários
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13/02/09
PROJETO ÔNIBUS-BIBLIOTECA
"Em vez de esperar em casa pelo seu público,vai em busca do seu público onde ele estiver" (Mário de Andrade, sobre a Biblioteca Circulante - 1936)O projeto dos ônibus-biblioteca é uma parceria da Prefeitura de São Paulo com a Libre - Liga Brasileira de Editoras. São quatro veículos em cor amarela, tendo no vidro interno do fundo a fotografia do primeiro carro a prestar este serviço à cidade. A idéia original foi implantada em 1936 pelo escritor Mário de Andrade, então diretor do Departamento de Cultura da cidade. O projeto foi vencedor do Prêmio Viva Leitura 2008 na categoria Bibliotecas Públicas, Privadas e Comunitárias. O primeiro - Foi a Ford que construiu e doou um modelo de caminhonete-biblioteca que visitava periodicamente vários lugares da cidade, como o Largo da Concórdia, o Jardim da Luz e a Praça da República. O serviço foi interrompido em 1942 pela necessidade de racionamento de combustível na II Guerra Mundial.Em 1979, mediante convênio com o Instituto Nacional do Livro, o serviço foi retomado com uma perua Kombi adaptada.Desde então, apesar de períodos de interrupção do serviço, os ônibus-biblioteca têm circulado pela capital paulista levando um acervo de livros de literatura infantil, juvenil e adulta, obras paradidáticas, de saúde, sexualidade, gibis e revistas.
Postado por MEU TRABALHO às 15:38 0 comentários
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29/05/2009

CURTAS COM TEMÁTICAS DE LENDAS E HISTÓRIAS POPULARES

Tem muito curta de qualidade técnica e excelentes roteiros. Não deixe de ver:

JURO QUE VI: MATINTA PERERA







A MOÇA QUE DANÇOU DEPOIS DE MORTA

VOCÊ TEM PARENTES E AMIGOS ASSIM?


Ah, não resisti. Essa tira de Adão Iturrusgarai saiu na Folha de S. Paulo.

28/05/2009

MAIS LIVROS COM CONTEÚDO IMPRÓPRIO PARA CRIANÇAS FORAM DISTRIBUÍDOS

Publicado em 28/5/2009

Livro para adolescentes é entregue a crianças em SP

A obra, uma coletânea de poesias, tem frases como “Nunca ame ninguém. Estupre”
Volume faz parte do mesmo programa da rede estadual de ensino que teve um livro recolhido por conter palavrão e conotação sexual

FÁBIO TAKAHASHI - FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL

O governo de São Paulo enviou a alunos de terceira série (faixa etária de nove anos) um livro feito para adolescentes, que possui frases como “nunca ame ninguém. Estupre”.A coletânea de poesias faz parte do mesmo programa de melhoria da alfabetização que teve um livro recolhido por conter palavrões e expressões de conotação sexual: “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, também distribuída para a terceira série.A nova obra, “Poesia do Dia -Poetas de Hoje para Leitores de Agora”, foi enviada às escolas há cerca de duas semanas para ser usada como material de apoio. Foram distribuídos 1.333 exemplares.“Não é para crianças de nove anos. São várias ironias, que elas não entendem”, afirmou o escritor Joca Reiners Terron, autor do poema mais criticado por professores da rede, chamado “Manual de Auto-Ajuda para Supervilões”.Alguns dos versos são “Tome drogas, pois é sempre aconselhável ver o panorama do alto”; e “Odeie. Assim, por esporte”.“Espero que o Serra [governador José Serra] não ache o texto um horror, como ele disse do outro livro. Horror é quem escolhe essas obras para crianças”, disse Terron.Em nota, a direção da Abril Educação (responsável pela Ática) afirma que o livro é recomendado para adolescentes de 13 anos, “indicação reforçada na contracapa, na apresentação e no suplemento ao professor”.Após questionamento da Folha, a Secretaria da Educação da gestão José Serra (PSDB) decidiu ontem retirar os livros das salas de aula. Os exemplares, no entanto, permanecerão nas escolas, para consulta de alunos mais velhos.O entendimento é que os assuntos do poema devem ser abordados na escola, mas com supervisão de um especialista.A secretaria não esclareceu como é feita a escolha dos livros. A sindicância aberta para apurar o caso do outro livro ainda não foi concluída.
CríticasProfessor da Faculdade de Educação da USP, Vitor Paro afirma que a escolha do livro para crianças de nove anos “é produto da incompetência e ignorância do governo”.“Por que os livros só foram retirados após o jornalista questionar? A análise não deveria ter sido feita antes?”, diz.A coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Angela Soligo, classifica como “um horror” o poema. “Tem uma ironia que talvez só o adulto entenda. É totalmente desnecessário para uma escola.”“Já é o segundo caso. Os professores ficam inseguros com o material”, disse ela.
Arte do jornal AGORA

19/05/2009

LIVROS COM CONTEÚDO IMPRÓPRIO FORAM DISTRIBUÍDOS PARA CRIANÇAS

LINK: http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1159630-5605,00-SP+DISTRIBUI+LIVRO+COM+PALAVROES+PARA+ESCOLAS+ESTADUAIS.html

SP distribui livro com palavrões para escolas estaduais

Material era indicado para alunos da 3ª série.
Secretaria de Educação disse que material já foi recolhido.

Do G1, em São Paulo*

A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo distribuiu a escolas um livro com histórias em quadrinhos com palavrões e conotação sexual. Indicado para alunos de nove anos da terceira série do ensino fundamental, o livro "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", com 11 histórias em quadrinhos de vários autores sobre futebol, chamou a atenção de coordenadores pedagógicos.

O material seria usado no programa Ler e Escrever, que reforça a alfabetização de crianças, e os alunos poderiam levar o livro para casa ou usar na própria escola.

A secretaria confirmou a compra dos livros, mas informou que esse foi apenas um dos mais de 800 títulos comprados. Segundo a pasta, foram distribuídos 1.216 exemplares, menos de 1% dos livros colocados à disposição das crianças. Os livros começaram a ser entregues às escolas na semana passada.

O governador José Serra (PSDB) disse que houve "falha" na escolha, pois o material é "inadequado para alunos desta idade", e que já determinou o recolhimento da obra. Disse ainda que foi aberta uma sindicância e os responsáveis serão punidos. Os resultados da sindicândia devem sair em 30 dias.

Esse é o segundo caso de problemas com o material escolar registrado nas escolas estaduais de São Paulo neste ano. Em março, alunos da 6ª série do ensino fundamental receberam livros em que o Paraguai aparecia duas vezes no mapa e a Venezuela foi esquecida.

(*Com informações do SPTV e do Jornal Hoje)

11/05/2009

ANTES DE COLOMBO CHEGAR/ ANTES DE LA LLEGADA DE COLÓN


Este é meu novo livro, com lendas astecas, maias e incas, em português e espanhol. São histórias que tratam da origem do homem, dos alimentos, dos animais, do fogo, das relações políticas, e nos permitem refletir sobre o mundo caótico em que vivemos hoje.
Tem belas ilustrações em um papel reciclado bastante original. Um livro “verde” que, com certeza, agradará crianças e adultos.